Ontem tive de viajar novamente para França, em trabalho. Quando cheguei à fila para o controlo de segurança, seguiam à minha frente três jovens muito alegres. Pelas suas feições e modo de vestir, apesar de muito europeu, deduzi serem oriundas de um país do norte de África. Uma delas chamou-me especialmente a atenção, não só por causa da sua beleza, como pelo seu feitio despassarado, pois quando cheguei ela estava a voltar para trás, alertada por um senhor, para buscar o casaco que deixara cair. E pouco tempo depois fui eu quem teve de o apanhar para lho devolver, o que agradeceu simpaticamente em inglês. Era sem dúvida a mais vistosa e alegre das três. Estava vestida de uma forma que a tornava muito sexy. Era alta, com longos cabelos pretos e a pele muito branca. Tinha muitas parecenças com a Catarina e talvez tenha sido esta a causa principal do meu interesse. Mas era, sem dúvida, uma beleza de mulher! Foi uma etapa da viagem muito agradável, que saboreei o melhor que pude sem, contudo, perder a cabeça.
Quando deixei o Raio-X já as três moças tinham seguido a sua vida alegremente. No átrio central ainda as vi, mas não fiz grande caso disso e segui para a zona onde supostamente iria embarcar. Cerca de meia hora mais tarde vi uma delas passar mesmo à minha frente e lembro-me de ter pensado: "queres ver que também vão para Lyon?". Isto ainda antes de estar definida a porta de embarque. É claro que quando cheguei à dita porta, entretanto indicada, relanceei o olhar para ver se as via, o que não aconteceu. Mas nem foram precisos três minutos para as ver chegar galhofeiramente. Só faltava agora que a mais bonita fosse ao meu lado no avião, pensei eu. Afastei de imediato este pensamento, pois só o facto de o ter tido tornava ainda mais improvável esta coincidência, como sempre se sucede.
Ainda assim, já no avião, sentado junto à coxia, esperava ansiosamente por quem iria caber ao meu lado. Como já quase toda a gente tinha embarcado, sabia que elas não tardariam a chegar. Aproximou-se de mim uma senhora, mais velha do que eu, que me fez pensar: pronto é esta que me vai calhar, afinal. Mas não. Sentou-se junto à janela deixando entre nós um lugar vazio. Logo depois apareceram as três raparigas e a minha desejada parou ao meu lado. Parou ela e parou o meu coração quando, olhando para o bilhete, me pediu licença para se sentar ao meu lado. Não queria acreditar na sorte que estava a ter e questionei-me sobre o que o que estaria o destino a reservar-me. Não foi preciso esperar muito para perceber que ele estava era a gozar comigo. Mas a gozar descaradamente, pois nem um minuto depois ela pediu-me licença outra vez e saiu, para se ir sentar duas filas mais à frente, num lugar vazio junto à janela... E a viagem prosseguiu, comigo entre um banco vazio e um corredor, adquirindo a monotonia a que estava condenada antes desta brincadeira do destino, cuja intenção, sinceramente, acho que nunca vou compreender...